O nascimento da inovação no setor público

Um breve relato da nascente inovação no setor público

Nos últimos anos, nós temos observado e ajudado a construir projetos que dão mais significado para o trabalho dos servidores e entregam resultados melhores para a sociedade. Neste texto quero contar para vocês um breve relato da nascente inovação no setor público.

Recorte temporal – Semana de Inovação

Poderíamos entrar em um espiral regressiva infinita para encontrar a pedra fundamental, um “marco zero” da inovação no setor público. A Nova Gestão Pública? A Constituição de 88? As tecnologias de informação e comunicação do séc.xx? 

Todos esses (e muitos outros) poderiam ser ou não ser considerados marcos para o nascimento da inovação. A minha escolha para esse texto parte de um passado quase presente, há 5 ano, quando o Governo Federal – Ministério do Planejamento, Enap, TCU – realizou a 1ª Semana de Inovação no Setor Público.

Desde 2015, a Semana de Inovação, representa a concatenação de uma agenda de inovação no setor público, que hoje sabemos, está distante de ser somente tecnológica. Ainda mais importante do que as inovações, no entorno da semana, temos uma grande reunião de inovadores públicos.

A inovação e o inovador

O nascimento da inovação no setor público é como a construção de torre com incontáveis andares. Ao longo de anos, surgem novos indivíduos e cada um deles coloca um tijolinho em cima dos velhos alicerces, dizendo: “Construí uma torre”.

No mês seguinte, outro tijolo é colocado em cima do anterior… Então chega um pesquisador com a seguinte pergunta: “E então, quem construiu essa torre?”. Fulano acrescentou algumas pedras ali, Sicrano, mais outras ali.

Se não tiver cuidado, você pode ser levado a acreditar que fez a parte mais importante. Mas a realidade é que cada contribuição tem que se seguir à contribuição anterior.

Tudo está amarrado a tudo.

Quando algo está nascendo, precisa ser cuidado com toda atenção. Ainda não consegue se manter e precisa de ajuda o tempo todo. Normalmente é preciso um lugar especial, “quente” e seguro, um ninho.

Ao sentir-se pronto, o inovador pode sair pelo mundo e expandir os seus limites. A inovação nasce dos Inovadores.

Inovador clandestino é legalizado

Em 2015, 1ª Semana de Inovação no Setor Público, o então Presidente da Enap, Francisco Gaetani, provocou os participantes com a colocação: “Inovar no setor público é, por definição, ilegal.”

Com a ampliação do aprendizado e da oferta de métodos para fazer a inovação acontecer, as próprias construções mostraram que a frase não carregava um significado prático. Era preciso empurrar as barreiras do entendimento legal, e decretar: Inovação já existe, e é legal!

Os servidores públicos foram contagiados pelas possibilidades de executar um trabalho mais significativo, e passaram a tentar transferir para as suas rotinas e seus projetos, um pouco do maravilhoso mundo da inovação. Trabalhar de forma mais humana, colaborativa e empática, tornou-se imperativo.

Estranho no ninho

A inovação tem nascido dentro de grupos, salas ou laboratórios que permitem que pequenas regras sejam quebradas e que ousadias sejam experimentadas e os erros apreendidos. Os inovadores cuidam uns dos outros e se fortalecem.

Quando pessoas ou projetos que surgem dentro desses grupos vão parar em outros ambientes, acontece o “Efeito McMurphy”.

McMurphy é o personagem de Jack Nicholson no filme “Um Estranho no Ninho”.

Ele chega ao hospital psiquiátrico e começa a mudar a rotina e também a questionar as normas estabelecidas, os demais pacientes se sentem representados e renasce o ânimo dentro de si. Começam a reivindicar pequenos direitos, por exemplo, fumar mais alguns cigarros, começam a participar de pequenas atividades e conseguem sentir prazer em realizá-las.

Na verdade, o que estava faltando era uma forma diferenciada em gerir os serviços, faltava inovação, participação do usuário contribuindo para melhoria do atendimento.

A inovação nasce em você

Parece auto-ajuda, mas é um fato. Um chamado individual insurgente, que se torna projetual e acaba institucional, global. 

É normal em uma sala (virtual) de trinta pessoas, 90% considerar que a inovação não é possível em seu trabalho. Mas é cada vez mais frequente servidores buscando aprender sobre inovação para solucionar problemas e enfrentar os desafios complexos dos nossos tempos.

Os inovadores no setor público estão literalmente sendo criados em laboratórios, o laboratório é um ninho. E muitos deles se reconhecem inovadores dentro desses ninhos, a partir disso se (re)conectam com um propósito mágico que torna a inovação ainda mais possível e fértil.

Deixe a inovação nascer. Pode parecer estranho no começo, mas rapidamente torna-se óbvio.

E aqueles que foram vistos dançando foram considerados loucos por aqueles que não podiam ouvir a música

FRIEDRICH NIETZSCHE

Foto de capa por bennett tobias no Unsplash

Texto escrito para o blog do Nidus – Laboratório de Inovação do Governo do Estado de Santa Catarina

Por André Tamura

Pai e Marido. Fundador e Diretor Executivo da WeGov. Empreendedor entusiasta da inovação no setor público e das transformações sociais. Estudou Administração de Empresas e Ciências Econômicas. Desde que trabalhou como operário de fábrica no Japão, tem evitado as “linhas de produção”, de produtos, de serviços e de pessoas. Em 2017, foi condecorado com a Medalha do Pacificador do Exército Brasileiro.

Deixe uma resposta